sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Pesquisa do IBOPE revela que 31% dos brasileiros não sabem o que é Saneamento Básico


A pesquisa ouviu 1.008 pessoas moradoras das 79 cidades brasileiras com mais de 300 mil habitantes e revelou que 31% da população não sabem o que é Saneamento Básico. Em uma questão específica sobre o termo, na qual os entrevistados poderiam indicar mais de um tipo de serviço dentro do conceito, as cinco respostas mais mencionadas foram: serviços de esgoto (54%), serviços de água (28%), coleta de lixo (15%), limpeza pública (14%) e pavimentação (8%). A citação ao esgoto ficou em primeiro lugar em todas as regiões do País, seguida de serviços de água, que só na região Nordeste ficou em terceiro lugar, atrás de limpeza pública.

Apesar dos dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Ministério das Cidades) indicarem que apenas metade da população têm acesso a esgoto, 77% das pessoas acreditam que estão ligadas à rede pública. Essa percepção é maior nas cidades do Sul (87%) e do Sudeste (84%).

A pesquisa revela que 1 em cada 5 domicílios (20%) consultados declara que não está ligado à rede pública. Os índices são maiores nas cidades da região Nordeste (56%) e de médio porte (68%). Um terço da classe D/E (32%) não dispõe de acesso à rede pública, proporção que passa para um quinto (21%) dentro da classe C, e para cerca de um em cada 10 domicílios (9%) da classe A/B”, comenta.

Em relação à escolaridade dos entrevistados que não têm acesso à rede de esgoto, 23% estudaram somente até o Ensino Fundamental, 17% possuem o Ensino Médio e apenas 10% cursaram o Ensino Superior.


SANEAMENTO BÁSICO E OUTRAS ÁREAS

O esgoto ficou em 7º lugar no ranking de áreas mais problemáticas, apontado por 10% dos entrevistados. A primeira colocação ficou com saúde (49%), seguido de segurança (46%), drogas (40%), educação (28%), emprego (27%), calçamento e pavimentação (11%) e limpeza pública (11%). “Uma vez que o saneamento pode ser apontado de acordo como é percebido em cada uma das suas vertentes, à primeira vista pode parecer que o tema não tem tanta importância, comparado às demais áreas. Porém, se somarmos as menções a esgoto (10%), limpeza pública (11%), coleta de lixo (4%) e abastecimento de água (9%), chegamos ao mesmo patamar dos problemas mais citados”, comenta Gastaldi.



IMPACTOS NEGATIVOS POR FALTA DE SANEAMENTO BÁSICO


Quase 1/5 (18%) dos domicílios sofre com problemas de refluxo, praticamente a mesma quantidade (17%) que aponta problemas com enchentes e inundações. O mau cheiro dos esgotos afeta uma proporção maior, sendo indicado por mais de 1/3 dos domicílios pesquisados.

É bastante expressivo o conhecimento dos entrevistados sobre os impactos negativos gerados pela falta de serviços de coleta e tratamento de esgoto. Os mais citados são: doenças e problemas de saúde (70%), mau cheiro (41%), presença de ratos (36%), presença de insetos (27%) e poluição de rios (14%).

Com relação aos serviços de saneamento básico mais urgentes, 21% das pessoas citaram a limpeza de bueiros/bocas de lobo, 15% falaram das coletas de esgoto e também 15% elegeram a retirada de entulhos das ruas e áreas abandonadas. Dos que acham coleta de esgoto prioritário, 37% não estão ligados à rede, 28% são de cidades do Nordeste, 23% de cidades do Norte e do Centro-Oeste, e 19% são moradores de favelas.



ESGOTO X QUALIDADE DE VIDA

A maioria praticamente absoluta da população (84%) vincula a presença de esgoto com melhora da sua qualidade de vida, assim como a de sua família. Também mostra discernimento, ao indicar como ocorrem os principais ganhos.

A leptospirose, também citada como “doença de ratos”, é o maior problema dentre os vários que podem ocorrer, apontados espontaneamente (sem uma relação de respostas específicas) pelos entrevistados, sendo citado por praticamente 64%, seguido de diarreia, com uma incidência de 42%. Foram bastante lembradas as doenças de pele (28%) e viroses (21%), além de alguns outros casos que, na verdade, são sintomas de alguma doença específica: vômito (25%) e febre (21%).

Cerca de 1/3 dos entrevistados já vivenciou ou conhece alguém que já teve problemas relacionados ao esgoto. Os percentuais mais expressivos estão entre os entrevistados da região Sul (43%), das periferias (40%), mais pobres (39%) e entre os que não estão ligados à rede pública (42%). Os problemas mais presentes são os relacionados à saúde (11%), ou correlatos, como presença de ratos (8%) e de insetos (6%), assim como outros estruturais, nos quais se destacam os entupimentos (9%) e os causados por enchentes (7%).

SANEAMENTO BÁSICO X ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

A maioria dos entrevistados entende que a administração municipal é responsável pelos serviços de saneamento básico (68%). A avaliação dos serviços de coleta e tratamento de esgoto mostra que a atuação da Prefeitura está aquém da expectativa da população, com notas inferiores às dos demais serviços prestados: coleta de lixo (8,0), tratamento de água (7,6), coleta de esgoto (6,4) e tratamento de esgoto (5,9). Apesar de 61% das pessoas afirmarem que a administração municipal se esforça, porém não o bastante, para que os serviços de coleta e tratamento sejam universais, ¼ dos pesquisados (24%) considera que ela não faz nada para que a cidade tenha um atendimento pleno dos serviços. Destes, 34% são moradores de cidades do Nordeste, 33% estão entre os mais pobres, 39% vivem em periferias e 45% não estão ligados à rede.



A pesquisa revelou ainda que é muito baixo o número de pessoas que declara ter levado em conta as condições de esgoto quando escolheu seu candidato nas últimas eleições municipais: apenas 2%, que passam para 5% entre os que não possuem serviço público de coleta. O abastecimento de água é citado por 1%. Nos primeiros lugares, aparecem as demandas por serviços de saúde (19%), segurança (10%) e educação (10%).


Perguntados sobre onde gostariam de buscar mais informações sobre os serviços de coleta e tratamento de esgoto, os entrevistados responderam: TV (34%), conta de água (20%), boletim informativo (17%), carta da Prefeitura (17%), rádio (16%) e jornais (15%).

Fonte: Instituto Trata Brasil e

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