sábado, 8 de novembro de 2008

Saiba um pouco mais sobre a DENGUE

Sanitarista diz que “Se não houver prevenção, a tendência é piorar”
Em entrevista ao Portal Infonet, o veterinário sanitarista João Farias fala sobre mitos e verdades no que se refere á prevenção da Dengue, doença que já matou várias pessoas no Rio de Janeiro e atinge agora a capital sergipana.
O mito da água limpa
Durante muitos anos, ouviu-se falar que o mosquito da Dengue apenas se reproduzia em água limpa, no entanto João logo desmente a “crença popular”. “Isso não faz o menor sentido, pois, em sua fase larval, o mosquito precisa de nutrientes que não são encontrados em águas limpas, purificadas. A fêmea tende a procurar uma água parda, pouco sujinha, para que seus ovos sejam bem alimentados e a disseminação dos mosquitos seja feita de forma efetiva”, explica.
O mito do vôo máximo de 1 m
“Essa é outra ingenuidade. Tudo vai depender da corrente aérea porque o mosquito pode andar de elevador. Ele não pára no térreo? É preciso ressaltar que o mosquito pode picar a qualquer altura, pois ele não está apenas onde seu vôo máximo o permite. Há outros fatores que contribuem para seu deslocamento”, diz João.
As preferências da fêmea, o engodo do Fumacê e o problema dos inseticidas
João explica que a fêmea do mosquito tem hábitos regulares e que é de grande importância conhecê-los. “A fêmea tem hábitos diurnos, então não adianta colocar um arsenal de produtos no período da noite porque isso não funciona. É dentro desse contexto que afirmo a não eficácia do carro Fumacê. Além de poluir o ambiente, ele percorre as casas durante o fim da tarde, período em que a fêmea do mosquito, que é a disseminadora, já se recolheu”, explica João.
Além disso, ele ressalta que a utilização incorreta de inseticidas pode prejudicar o ambiente e a própria saúde do indivíduo. “Muitas pessoas acreditam que todo inseticida mata o mosquito da Dengue, o que não é verdade. Existem os apropriados e as pessoas devem prestar atenção aos rótulos dos produtos, pois muitos deles causam alergias e lesões dermatológicas”, diz.
Mosquitoteca: eficaz no combateRepelentes e mosquiteca: cuidados e problemas dermatológicos
Com o anúncio do surto de Dengue pela Secretaria Municipal da Saúde, muitas pessoas optaram pelo uso de repelentes. Entretanto, o sanitarista ressalta que é preciso ter bastante cautela na hora de aplica-lo, principalmente nas crianças. “Muitas escolas infantis adotaram o repelente como prevenção, mas há os riscos de alergia. Então acredito que os professores e pais devem estar atentos e fazer o teste dermatológico antes de usar o produto nas crianças. Só é passar um pouquinho no punho e esperer uns dez minutos. Quanto à mosquiteca, posso afirmar que é um método eficaz, mas que não deve substituir os demais, pois combater a Dengue é um trabalho que exige métodos complementares”, explica.
Citronela: repelente natural eficaz
Comercializada no estado de Minas Gerais, a Citronela é uma planta que libera substâncias capazes de repelir mosquitos. Sua utilização é considerada de grande eficácia no combate aos transmissores da Dengue e do Calazar. “É uma alternativa bastante eficaz, pois os mosquitos não suportam a substância liberada por ela. Infelizmente, não é comercializada em Aracaju, mas fazemos pedidos direto de uma loja da cidade. Os interessados podem entrar em contato. Já a vela de Citronela pode ser encontrada em vários supermercados da capital , devendo ser acesa no período da manhã e colocada no chão da casa". Quem tiver interesse em fazer o pedido da muda da Citronela (que custa em média R$ 15) deve entrar em contato através do telefone (0xx79) 3044-0539 e falar com Rose.
O perigo dos próximos anos
De acordo com o sanitarista, não faz o menor sentido a Dengue matar tantas pessoas no Brasil. “A maior causa da doença ainda é o descuido da população. Existem campanhas informativas, mas poucos levam a sério e o reflexo disso está cada vez mais evidente. Não estou querendo ser alarmista, mas se não houver uma grande evolução no comportamento social e no papel do Governo, 2009 será um ano muito pior e os próximos, piores ainda”, completa João Farias.
Por Jéssica Vieira e Carla SousaFonte http://www.infonet.com.br/saude/ler.asp?id=71761&titulo=especial

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